Introdução
Você sentiu o tremor no mercado audiovisual recentemente? Notícias sobre fusões e aquisições gigantescas, como a hipotética compra da Warner Bros. pela Netflix, reverberam por toda a indústria, sinalizando uma era de profunda transformação. O que antes era um sonho para muitos criadores, ver seus trabalhos em grandes estúdios, agora se depara com a realidade de um mercado cada vez mais dominado por algoritmos e pela busca incessante por retenção e minutos assistidos.
Bruno Benetti, diretor de cinema, produtor e educador, analisa essas mudanças com uma visão de mercado afiada, alertando que o audiovisual como conhecemos está sendo desmantelado. Em um cenário onde a eficiência de Pareto e a inteligência artificial ditam as regras, o cinema autoral e as “apostas arriscadas” correm o risco de se tornarem obsoletos. A questão não é mais apenas sobre fazer arte, mas sobre quem detém o monopólio da atenção e da distribuição.
Este post, baseado na análise de Bruno Benetti, desvenda o “Plano de IA” – uma estratégia essencial para filmmakers e criadores sobreviverem e prosperarem em 2026 e além. Não se trata de lamentar o passado, mas de entender o novo tabuleiro de xadrez e posicionar-se para o futuro, abraçando o caos como uma escada para novas oportunidades.
O que você vai aprender
- Como a “singularidade da distribuição” e a eficiência de Pareto estão remodelando o mercado audiovisual.
- A metáfora do “McDonald’s comprando um bistrô francês” para entender a homogeneização do conteúdo.
- A diferença entre a curadoria humana da HBO e o modelo algorítmico da Netflix.
- Por que a guerra de culturas entre Hollywood e o Vale do Silício impacta diretamente os criadores.
- Oportunidades que surgem no caos do mercado para o conteúdo autêntico e humano.
- Estratégias práticas para filmmakers: descentralizar sua autoridade, proteger sua propriedade intelectual (IP) e identificar “frestas” de inovação.
- A importância de ser autoral e a resiliência da narrativa humana na era da inteligência artificial.
Principais Insights
A Singularidade da Distribuição e a Eficiência de Pareto no Audiovisual
O mercado audiovisual está passando por uma “destruição criativa”, um termo cunhado por Joseph Schumpeter, que Bruno Benetti prefere chamar de “singularidade da distribuição”. Historicamente, havia uma separação entre quem produzia (estúdios) e quem distribuía (cinemas, TVs). Essa fricção protegia a arte, garantindo múltiplos compradores e, consequentemente, mais espaço para a experimentação. No entanto, a busca por integração vertical, exemplificada pela tentativa de grandes players como a Netflix de absorver estúdios tradicionais, visa eliminar essa fricção, concentrando poder e controle.
A Netflix, como uma empresa de tecnologia, opera com base em dados e na eficiência de Pareto. Se 80% do público consome comédia romântica genérica, 80% do investimento será direcionado para esse tipo de conteúdo. Isso levanta um alerta: o risco de morte da “aposta arriscada”, ou seja, filmes e séries que demoram para engatar, mas que se tornam clássicos. O exemplo do “McDonald’s comprando um bistrô francês” ilustra essa homogeneização: o escargot, embora autêntico, pode não ser eficiente em escala, sendo substituído por opções mais lucrativas e algorítmicas.
Guerra de Culturas: Hollywood vs. Vale do Silício
A fusão de grandes estúdios não é apenas uma transação financeira; é uma guerra de culturas. De um lado, Hollywood, com sua tradição de curadoria humana, como a HBO, que bancou obras-primas como “Sopranos” e “Succession” baseadas no julgamento de executivos. Do outro, o Vale do Silício, representado pela Netflix, com seu modelo data-driven, onde séries são lançadas em massa e canceladas rapidamente se não performarem no primeiro final de semana. Essa abordagem levanta a preocupação sobre o futuro de filmes complexos e autorais, como os de Scorsese ou “Duna”, que exigem tempo e visão para serem desenvolvidos e apreciados.
Caos é uma Escada: A Oportunidade do Conteúdo Autêntico
Em meio a essa turbulência, Bruno Benetti oferece uma perspectiva otimista: “Caos é uma escada”. Quanto mais o mainstream se torna pasteurizado e algoritmizado, maior a fome do público por conexão real, humana e autêntica. A execução para filmmakers agora não é tentar agradar o algoritmo da Netflix, mas ser tão visceralmente humano que o algoritmo não consiga explicar ou replicar. A inteligência artificial pode otimizar a distribuição e a produção de conteúdo em massa, mas a alma do criador permanece insubstituível.
O Plano de Sobrevivência para Filmmakers em 2026
Para sobreviver e prosperar neste novo cenário, Bruno Benetti propõe um plano estratégico:
- Descentralize sua Autoridade: Pare de construir seu portfólio pensando em apenas um comprador (o streaming). Construa sua própria audiência e comunidade em plataformas como YouTube, newsletters e grupos exclusivos. Tenha alavancagem, não dependência.
- Crie e Proteja sua Propriedade Intelectual (IP): O verdadeiro valor está na posse de suas histórias e personagens. Estúdios valem bilhões não por suas câmeras, mas por seu IP. Crie narrativas originais e mantenha os direitos o máximo possível. No futuro, licenciar seu IP para grandes players pode ser muito mais lucrativo do que ser contratado por eles.
- Fique Atento às “Frestas do Mercado”: Grandes fusões e demissões geram talentos e projetos liberados. É nessas horas que surgem novas produtoras independentes e as inovações mais disruptivas. Esteja atento a essas oportunidades de colaboração e criação independente.
A Alma do Criador: A Resiliência da Narrativa Humana
No fim das contas, a tecnologia e a inteligência artificial mudam a forma como o conteúdo é distribuído, mas não a necessidade humana de sentir e se conectar com histórias. Assim como o teatro sobreviveu ao cinema, e o cinema à TV, a narrativa humana persistirá. A Netflix pode comprar prédios e arquivos, mas não pode comprar a alma de quem cria. Enquanto houver coragem para colocar a verdade na tela, haverá público. O monopólio pode controlar os canos, mas não a água. Seja autoral, use a IA a seu favor na otimização e produção, mas deixe sua marca humana na arte.
Conclusão
O mercado audiovisual está em ebulição, e a transformação é inevitável. Em vez de se apegar a um passado que não volta, o momento é de adaptação e estratégia. O “Plano de IA” de Bruno Benetti não é sobre desistir, mas sobre usar a disrupção como combustível para ser mais autoral e inovador do que nunca. Construa sua audiência, proteja suas histórias e esteja pronto para as oportunidades que surgirão nas “frestas” do mercado. O futuro do audiovisual pertence aos criadores que combinam visão artística com inteligência estratégica. Qual é a sua escolha: um cinema comandado por algoritmos ou por humanos? Compartilhe sua opinião nos comentários e junte-se à comunidade de Bruno Benetti para se manter sempre à frente da curva!
